Periódico en línea

Registrado en el Tribunal de Milán, n° 197 de 25/06/2015

  • SOCRATES CONTA A FIM DOLOROSA DE UM SONHO MUNDIAL

    Foi o jogo do Paolo Rossi, que silenciou as criticas com seus três golos que ficaram na história. Mas foi também o dia do imortal Dino Zoff, que com 40 anos no ultimo minuto do jogo defendeu na linha do gol o chute do Oscar.
    Em 5 de Julio de 1982, Italia ganhou 3-2 contra Brasil e escreveu uma das páginas mais importantes na história do seu futebol. Apesar de ser inserida no mesmo grupo com as favorecidas Brasil e Argentina, Italia acabou se classificando fazendo algo milagroso.
    No Brasil, a derrota foi catastrofica e criou uma dor imensa. Aquela do Telê Santana foi considerada uma das seleções mais fortes, já que issa podia contar com Zico, Cerezo e Falcão, liderados por um treinador vencedor e um capitão que entrou na lenda deste desporto: Sócrates Brasileiro. 

    Sócrates foi mais que um meia extraordinário e diferente, capaz de fazer esse papel de forma moderna e revolucionária. Ele era um jogador dez anos à frente dos outros, jogando um futebol que ainda tinha que nascer.

    Mais ele não foi simplesmente um jogador: Sócrates também era filósofo, médico e se tornaria ator, jornalista, produtor, escritor e cantor.

    Nós temos o privilégio de publicar um testemunho inédito e exclusivo do Doutor Sócrates Brasileiro, recebido pela sua viúva Katia Bagnarelli, amiga de MondoFutbol que encontraremos novamente com um outro conteúdo precioso e muito significativo sobre a vida do Doutor. A Senhora Bagnarelli, com vista a manter viva a memória do marido, está trabalhando na produção de um filme autobiográfico pedido pelo jogador poucos meses antes de morrer. O Sócrates lhe contou toda sua vida, e o que vamos publicar è um pequeno extrato sobre suas memórias do jogo Italia-Brasil do Julio de 1982 em Barcelona, conhecido como Tragédia do Sarriá.

    Vamos dar a palavra ao Doutor, a sua sensibilidade e suas reflexões que vão além do desporto e são típicas de um pensador que não tem igual no futebol.

    A dor de um líder (por Doutor Sócrates Brasileiro)

    «Quando da derrota para a Itália na Copa de 82, a primeira pessoa que vi depois do término da partida foi ele. Sua face era a própria expressão da dor que todos nós sentimos. Mas ele tentava desesperadamente nos consolar. Esperou-nos à beira do campo e a cada um demonstrava o seu carinho. No vestiário o sofrimento era imenso. Uns choravam copiosamente enquanto outros invadiam as suas entranhas para desabafar. Ele olhava para o infinito e parecia tranqüilo apesar do golpe. Sentia-se confortado por nosso esforço, acredito. Nem por isso deixava de sofrer.

    Queria muito abraça-lo, protege-lo. Não tive forças. Mais uma vez me transportou a meu pai.

    Julguei que a dor que os dois estavam sentindo era da mesma intensidade. Chorei por eles muito mais que por outra coisa, mas as lágrimas escorriam com dificuldade. Estava esgotado e ressecado. Só vim saber exatamente o que representava aquele sentimento muito tempo depois quando meu velho partiu. Queria ser um milagreiro para trazê-lo de volta, assim como para resgatar aquele título mundial a quem mais o merecia: Telê Santana.

    Telê foi um exemplo de quem comanda a partir do conhecimento e da observação. Sua ascendência nascia da confiança que os atletas depositavam em suas decisões técnicas. Porém, outros treinadores utilizam métodos menos sublimes – sempre de acordo com as suas personalidades. Há aqueles que entendem que só a força – física, se necessario – consegue domar seres tão diferentes entre si e que competem pelo mesmo espaço.
    Encontrei alguns destes, algumas vezes. Um deles parecia o próprio militar reformado pelos seus modos e sua filosofia. Ele gostava de falar alto quase gritando, quase nada o agradava e esta falta de sensibilidade era o que mais assustava em seu caráter.

    Era absolutamente cego em sua apologia da disciplina como se isso fosse a única medida a contar nas relações humanas.

    Este tipo de comportamento discutível só pode dar certo, creio, quando encontramos uma tropa tímida e indefesa de jovens que ainda não possuem vontade própria nem poder para enfrentar qualquer tipo de desmando.
    Aí, torna-se mais fácil impingir regras rígidas e imutáveis de comportamento que no primeiro momento podem dar resultado. O medo, às vezes, provoca uma melhora no desempenho dos indivíduos como uma forma de prevenção ou preservação. Mas, ele não se mantém eternamente. Com o decorrer da maturação, começa a haver questionamentos que afloram outros meios de se chegar aos mesmos objetivos. Com estes são, em geral, mais sadios e mais fáceis de conviver, provocam o nascedouro de reações pontuais que se não chegam a derrubar o opressor, destroem a capacidade de sobrevivência daquela sociedade oprimida.»

    Colaborou Alessandro Bai

    Foto da capa e Brasil 1982 ©Getty Images
    Foto Sócrates e Katia Bagnarelli ©Folhapress

    Foto Sócrates, Telê Santana e Zico ©Agência Estado

    Aniello Luciano

    Aniello Luciano

    L'uomo in più di MondoFutbol. Pronto a intercettare l'ultimo streaming e a segnalare il prossimo craque. Ha già mostrato il suo talento sul blog Interista Sempre e su Transfermarkt. Trova pure il tempo per fare scouting tra i circuiti musicali indipendenti.

    Deja un comentario

    Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

    Send this to a friend